quarta-feira, 22 de abril de 2015

A mão direita bate; a esquerda afaga.


Acabou o dinheiro? Não para os partidos.


Mais uma do bipolar governo Dilma.

A presidente acaba de sancionar o aumento do Fundo Partidário (aquela verba que sai do Tesouro, vinda do bolso do contribuinte, para sustentar os partidos). E não foi qualquer aumento: o valor passou de R$ 313,5 milhões, em 2014, para R$ 867,5 milhões neste ano. Um módico reajuste de 177%.

E isso enquanto o ministro da economia, Joaquim Levy, faz um esforço homérico para defender o necessário ajuste fiscal, que vai cortar bilhões de reais de investimentos e gastos em áreas vitais para o desenvolvimento econômico e social, com o objetivo de salvar as contas do governo. Serão (ainda mais) afetadas as áreas de educação, saúde e infraestrutura. São as medidas ortodoxas, que os petistas mais enfezados sempre atribuíram ao neoliberalismo, que agora sua própria presidente se vê obrigada a adotar, ao melhor estilo da direita, como diriam. É a bofetada da mão direita da Dilma.

É de uma incoerência brutal, e imoral, que, no atual contexto de recessão econômica, aumento da inflação, déficit crescente das contas governamentais e, sobretudo, manifestas pressões da sociedade pela eficiência da gestão pública, e pela diminuição das regalias ao aparato político-partidário sustentadas pelo dinheiro do contribuinte, que Dona Dilma autorize uma aberração como essas, uma montanha de dinheiro público para os partidos se esbaldarem. Importante lembrar que o PT é o maior beneficiário, que recebe a fatia mais gorda do FP. Não à toa que o mesmo partido é o que mais defende o financiamento público de campanhas eleitorais, justamente para garantir, sem esforço, as verbas necessárias para a sua propaganda, que lhe permitam se perpetuar no poder, sem o desgaste de bater de porta em porta de empresários para extorquir doações. Especialmente agora, que estas portas se fecharam, em consequência das incessantes revelações da operação Lava-Jato.

E antes que se argumente que o aumento do Fundo Partidário foi aprovado pelo Congresso, e que Dilma "apenas" o está sancionando, é bom lembrar que o governo escalou o vice-presidente do Senado, o fiel escudeiro senador Romero Jucá, para apresentar e defender com unhas e dentes os novos valores, atropelando, inclusive, normas regimentais da casa para acelerar a apreciação e aprovação do projeto. Missão cumprida no Congresso, basta então Dilma assinar. Com a carinhosa mão esquerda, essa que se sustenta no poder com o dinheiro alheio.