segunda-feira, 27 de abril de 2015

Como destruir uma nação pela (des)educação



"Nas metas de Português prescreve-se, por exemplo, que um aluno do 1.º ano deve ler um texto com articulação e entoação razoavelmente correctas e uma velocidade de leitura de, no mínimo, 55 palavras por minuto. No 2.º ano este patamar já é de 90 palavras por minuto.

Nas de Matemática estipula-se, entre vários outros descritores, que no 1.º ano um aluno deve saber utilizar correctamente os termos segmento de recta, extremos do segmento de recta e pontos do segmento de recta. No 2.º ano já deve saber contar até mil e utilizar fracções para referir cada uma das partes de um todo dividido respectivamente em duas, três, quatro, cinco, dez, cem e mil partes equivalentes."

O texto acima foi extraído de uma reportagem publicada em um jornal de Portugal (acesse o link da matéria no final deste post), que relata que pais estão preocupados com mudanças nos critérios de avaliação do "1º ciclo", o equivalente às nossas Séries Iniciais, promovidas pelo governo português.

Se alguém ainda lembra o que aprendeu na 1ª série, seguramente vai perceber que há uma distância em relação aos conteúdos e as metas propostas pelo atual governo português. E se for observado o modelo brasileiro atual, há um abismo nos separando, Brasil e Portugal, bem maior que o Oceano Atlântico.

O ponto é que lá, diferente do que cá, o governo tem o propósito de aprimorar a formação das crianças, em vez de relaxar tanto em conteúdo quanto em avaliação, como ocorre em terras tupiniquins.

No além-mar, no nascedouro de Cabral, está a se promover o contínuo desenvolvimento, em vez do emburrecimento programático da nação, ora pois! Educação, lá, é levada a sério, porque sabem do valor estratégico para o desenvolvimento da nação.

Já por aqui, a educação também tem um propósito. Só que no sentido oposto. Vale relembrar uma frase, dos anos 70, do falecido educador Darcy Ribeiro. Na época, ele se referia ao modelo educacional proposto pelo regime militar, que hoje se sabe que era muito mais eficaz do que o que veio depois da redemocratização. Enfim, disse Darcy: "A crise na educação não é uma crise; é um projeto." Mais atual do que nunca.


Leia a reportagem portuguesa aqui:  www.publico.pt/sociedade/noticia/mais-de-cinco-mil-ja-disseram-nao-as-metas-curriculares-do-1-ciclo-1693420








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