quinta-feira, 30 de abril de 2015

Fogo amigo:
Com aliados desses, quem precisa de oposição?


O que tramam Cunha e Renan?
Os peemedebistas Renan Calheiros, presidente do Senado, e Eduardo Cunha, presidente da Câmara, não estão poupando o governo e a própria presidente Dilma Rousseff de sua artilharia. Ambos têm produzido, além de derrotas vexatórias ao governo nas duas casas do Congresso, algumas frases de efeito que tem causado a euforia de jornalista e chargistas.

Algumas pérolas de Renan Calheiros, só nesta véspera de feriado do Dia do Trabalho:

– Não ter o que dizer na TV no dia 1º de maio é uma coisa ridícula. (sobre Dilma Rousseff cancelar o pronunciamento na TV)

– O PMDB não pode substituir o PT no que ele tem de pior, que é o aparelhamento do Estado brasileiro. Não se trata de saber quem é o dono do aparelhamento, trata-se de acabar com o aparelhamento. Não se pode transformar a coordenação política em coordenador de RH, da boquinha. Não precisamos apenas mudar o dono do aparelhamento do Estado.

– Esse pacote (o ajuste fiscal proposto pelo governo) sequer pode ser chamado de ajuste fiscal. Para ser ajuste fiscal tem que cortar na própria carne, reduzir o número de ministérios, sem isso é ajuste trabalhista, pois só corta direitos trabalhistas, quem vai pagar a conta do ajuste é o trabalhador.

– Não há nada pior do que a paralisia, a falta de iniciativa e o vazio. Nós conquistamos a democracia no Brasil para deixar que as panelas se manifestassem. Precisamos ouvir o que as panelas dizem. Certamente a presidente Dilma não vai falar porque não tem o que dizer aos trabalhadores.

Eduardo Cunha não deixa por menos:

– É impressionante. Onde o PT vai, está todo mundo contra. No plenário... Impressionante. O PT não ganha uma votação. Só quando a gente fica com pena na última hora.

A aparente queda de braço entre os dois caciques do PMDB, supostamente o partido aliado mais fiel ao governo, não consegue esconder uma sintonia reveladora. Ambos sabem que o PT está ruindo, e que Dilma Rousseff, encastelada no Palácio sem poder aparecer nem mesmo na TV, carece de apoio popular para legitimar sua permanência na presidência. O panelaço de 8 de março, Dia da Mulher, enquanto Dilma lia seu pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, certamente se repetiria no 1º de maio, Dia do Trabalho, talvez ainda mais ruidoso, caso a presidente voltasse a se dirigir ao povo brasileiro. Não foi por outro motivo que ela mesma, em sintonia com seus conselheiros mais próximos, abortou a aparição, preferindo a segurança de um pronunciamento postado na internet.

Renan e Cunha, como outras lideranças, que de bobos têm muito pouco, procuram ocupar o crescente vácuo de poder, e ajudam a fragilizar cada vez mais a já débil autoridade de Dilma. E sutilmente vão preparando o palco para entrar em cena, tão logo a atual protagonista encerre seu ato. O que, avaliam, está cada vez mais próximo.









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