quinta-feira, 21 de maio de 2015

Ajuste fiscal:
eles ajustam, nós pagamos



Desde que iniciou o segundo mandato, após a apertada (e suspeita) vitória nas herméticas urnas eletrônicas, Dilma Rousseff não teve opção senão implementar medidas urgentes para salvar as próprias contas. Ironicamente (ou reveladoramente, como preferir) passou a implementar, uma a uma, as ações que acusava os adversários de campanha de pretenderem fazer.

Para não ficar tão feio, tendo que ir pessoalmente à TV ou ao Congresso para defender seus pacotes (até porque aparecer em público, ou mesmo na TV, tem ocasionado desconfortáveis reações "apaneladas" e similares), Dilma escalou para boi-de-piranha o fiel escudeiro Joaquim Levy, economista lapidado pelos ortodoxos conceitos liberais (olha só!) de gestão.

Um economista liberal à frente das políticas econômicas de um partido de esquerda (aham...).

Só podia dar no que deu: o pandemônio de aumentos de impostos e cortes de benefícios sociais e econômicos que estamos assistindo. Ou melhor, dos quais temos sido vítimas.

Esse cenário não veio do espaço, lógico. O Brasil não teve sua economia enxertada por um vírus demoníaco destrutivo que abalou sua estabilidade na virada do ano. O que estamos colhendo agora foi deliberada, calculada e maldosamente plantado pelo próprio governo petista.

Se tivesse perdido a eleição (o que, de qualquer forma, não ocorreria com o sistema eleitoral atual), o adversário sucessor estaria sofrendo o calvário da impopularidade, debaixo de intermináveis pedidos de impeachment motivados pelo "arrocho" que estaria impondo à sociedade brasileira.

Mas esse é o preço amargo da vitória eleitoral: levar adiante um governo quebrado, em nome de um projeto de poder que precisa ser mantido a qualquer custo. Mesmo que esse custo seja pago pelo povo, claro.

E que custo!

A lista tem sido divulgada a conta-gotas, porque as elites de Brasília sabem usufruir da benéfica curta memória do brasileiro. Ao longo dos primeiros cinco meses do ano, já foram algumas dezenas de medidas amargas empurradas pela goela do Zé Povinho. E ele quase nem vem sentindo. Quando para de reclamar de uma, lá vem outra, que se torna o assunto da hora. Semana seguinte, depois da rodada do brasileirão do fim de semana que zera o sistema da memória, pronto pra mais "anúncios"... E assim caminha a brasileirada...

Entre outros, podemos enumerar o reajuste dos combustíveis, da energia (esse está sendo pesado, e vem mais por aí), o corte de R$ 7 bilhões da Educação, o represamento dos repasses do Pronatec para as escolas parceiras, a redução para 1/3 das vagas do FIES, o aumento do tempo de serviço para o trabalhador ter direito a solicitar seguro-desemprego, redução do abono salarial, , elevação de tributos e impostos, redução de incentivos fiscais a setores da economia, redução da desoneração da folha de pagamento, volta da cobrança da CIDE sobre combustíveis, aumento de 100% do IOF sobre operações de crédito de pessoas físicas, reajuste da tabela do IR muito abaixo da inflação, retenção de repasses a estados e municípios, especialmente dos Fundos Estaduais e Municipais e da Lei Kandir (compensação pela desoneração de ICMS nas exportações), corte de R$ 25 bilhões do crédito para aquisições de casa própria pela Caixa, aumento de PIS e COFINS sobre produtos importados, redução das pensões por morte, aumento da taxa de juros, corte de R$ 70 bilhões do orçamento, que vai restringir áreas essenciais como educação, saúde, segurança...

Bem, a lista continua, e não é pequena, e não acaba tão cedo. Mais anúncios virão nos próximos dias, semanas, meses.

A propósito, nesse oceano de castigos ao cidadão comum, ao menos um "anúncio" vem em boa hora: o aumento da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de bancos, de 15% para 20%. Os bancos lucraram, em 2014, muitos bilhões de reais, destoando da recessão verificada no restante da economia brasileira. Só Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander tiveram, juntos, lucro de R$ 60,3 bilhões, o que significa 18,5% a mais que em 2013. Nunca antes na história desse país os bancos foram tão... digamos... profícuos, e isso em pleno governo de esquerda "popular e democrático"...

Já, por outro lado, existem ideias proibidas no Planalto Central. A diminuição do número de ministérios, hoje em incompreensíveis 38 pastas, nem de brincadeira. Redução dos custos com a manutenção da máquina administrativa? Fala sério! Redução do número de cargos comissionados, que passam de 120 mil (!) nas diversas estruturas da administração federal? Nem se cogita! Imagina desempregar a companheirada...

E, ainda, aumentaram o Fundo Partidário (dinheiro tirado do Tesouro, vindo do contribuinte, para distribuir a partidos) de R$ 360 milhões para R$ 860 milhões por ano! E concedem auxílio-moradia aos pobres juízes (que já têm salários de R$ 20 mil a 30 mil, em média) de míseros R$ 4,3 mil mensais, cogitando ainda mais uma esmola-alimentação de R$ 700 (quase um salário mínimo, num país em que 70% da população assalariada vive com isso o mês inteiro...)

Enfim, resta a nós, pobres mortais cidadãos brasileiros pagadores de impostos, quebrar o galho do governo. De novo. E sempre.

Sempre? Não, espera! Sempre é tempo demais! Nada é para sempre! Não pode ser!

Não parece que tá na hora, se já não passou, de a gente acordar desse pesadelo?









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