quarta-feira, 13 de maio de 2015

Empreiteiro amigo de Lula decide contar o que sabe


Ricardo Pessoa é próximo de Lula, e sabe tudo sobre o petrolão
Está sendo fechado o acordo de delação mais aguardado desde o início da operação Lava-Jato. O empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, é apontado nas investigações como o chefe do cartel de empreiteiras que, em conluio com políticos da base do governo e altos funcionários da Petrobras, desviaram bilhões de dólares da companhia.

Pessoa sabe muito. Como uma das lideranças do complô, tem informações relevantes para ajudar a Polícia federal, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal a desvendarem os detalhes do maior esquema de desvio de dinheiro público da história. É um avanço importante nas investigações, que aperta o cerco aos verdadeiros chefes da mega pilhagem institucionalizada nos governos petistas.

Durante as investigações, já haviam sido colhidas provas e depoimentos que colocavam Pessoa no centro do esquema, junto com outros figurões. Por essa razão o juiz federal Sérgio Moro decretou sua prisão preventiva em novembro do ano passado, para que não pudesse esconder ou destruir provas, nem coagir testemunhas a não colaborarem com as investigações. No início de maio o STJ autorizou o relaxamento da prisão, passando de preventiva, nos cárceres da PF do Paraná, a domiciliar, monitorado com tornozeleira eletrônica.

O desconforto dos meses de prisão e a iminente condenação a outros longos períodos de cadeia, em razão da robustez da investigação e a abundância de provas, foram determinantes para que Ricardo Pessoa finalmente concordasse em assinar o acordo, com a expectativa de reduzir as penas futuras. Para isso, entretanto, deverá oferecer informações novas e relevantes, que possam ser comprovadas. Caso contrário, não terá direito ao benefício da redução de pena.

Pessoa optou por assinar o acordo em Brasília porque deve citar o nome de políticos com foro privilegiado. Não fosse assim, o acordo poderia ser assinado na Justiça Federal no Paraná, que conduz o processo da Lava-Jato em primeira instância. Em depoimentos anteriores, já havia mencionado o nome de pelo menos seis parlamentares, entre eles o ex-ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão (PMDB-MA). Lobão esteve à frente do Ministério, que comanda a Petrobras, de janeiro de 2008 a março de 2010, período de grande "movimentação" dos envolvidos no petrolão.

A ida a Brasília para assinar o acordo é que vem tirando o sono de políticos de grosso calibre. Inclusive do ex-presidente Lula, que é muito próximo do mais novo delator do petrolão. Em um manuscrito de sua autoria, feito na cela da PF em janeiro, o empresário deixou claro que o escândalo que veio à luz é de natureza política, e não se trata apenas de um conluio de empresas assaltando o erário. Nas entrelinhas, indica que o coordenador da festa é o PT. Tanto que afirma que Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma e agora ministro da Secretaria de Comunicação Social da presidência, está “preocupadíssimo”.









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