terça-feira, 19 de maio de 2015

Governo "Made in China"


Alívio: Dilma é salva pelo gongo chinês.

Em pleno esforço para emplacar um "ajuste fiscal", que pretende ajudar a salvar as contas do governo, levadas ao caos pelo próprio governo, Dilma Rousseff achou sua tábua de salvação. Mas, como é do feitio das tábuas, a salvação que elas proporcionam não é definitiva. Apenas ajudam a manter a cabeça fora d'água para respirar enquanto não apareçam os tubarões. O que, convenhamos, também já é uma grande vitória para alguém naufragando.

Enfim, os acordos firmados com o governo chinês nesta semana vão permitir investimentos e obras que o governo brasileiro não tem condições de executar. Os acordos podem ajudar a melhorar a imagem desgastada da presidente, em um momento de grandes dificuldades de toda ordem.

Inflação, recessão, aumento de desemprego, rebeldia do antes submisso Congresso e pacotes de austeridade que pretendem cortar gastos em áreas estratégicas e sensíveis, como educação, saúde e infraestrutura, junto com os enormes escândalos de corrupção promovidos por figurões das altas esferas do poder, levaram a administração federal a uma paralisia preocupante. Se a tendência já era de acentuada recessão, o corte em investimentos agravaria ainda mais o cenário econômico.

É um alívio, portanto, que o premiê chinês Li Keqiang chegue ao Brasil neste momento trazendo o que o país precisa: investimentos para projetos de infraestrutura e linhas de crédito, que podem chegar a US$ 53 bilhões, segundo o governo brasileiro. A China não informou a cifra.

Entre eles, o mega projeto de uma linha ferroviária para ligar os Oceanos Atlântico e Pacífico, atravessando o Brasil, a partir do Rio de Janeiro e passando pela Amazônia, até chegar ao Peru, vencendo a Cordilheira dos Andes. O objetivo é facilitar as exportações de commodities, como soja e matérias primas, mas também deverá otimizar as importações de produtos asiáticos.

A propósito, os chineses, de otários, têm quase nada. Nesse processo serão eles a ganhar mais no comércio bilateral, já que a venda de seus produtos manufaturados rendem mais do que nossas exportações de matéria bruta. É uma forma de perpetuar o status do Brasil como exportador de commodities, produtos básicos como grãos e minérios, e da China como fornecedor de produtos desenvolvidos por sua tecnologia de ponta, de alto valor agregado e, portanto, muito mais rentáveis. E o governo brasileiro, de maneira conivente, perpetua o modelo do Brasil colonial, preterindo nosso avanço tecnológico.

Outro alento trazido de Pequim são os empréstimos de bancos chineses à Petrobras, que passa por graves problemas de caixa, financiamento e credibilidade. Ao todo foram assinados 35 acordos bilaterais nas áreas de planejamento, infraestrutura, comércio, energia, mineração, entre outras. Somente com a Petrobras, os acordos que envolvem financiamento de projetos da estatal chegam a pelo menos US$ 7 bilhões.

Considerando que o corte no orçamento do governo deste ano deve ficar entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões, os ienes sinalizados por Li Keqiang vão permitir que, nos próximos meses, o governo tenha algumas notícias favoráveis para anunciar, mascarando os efeitos nefastos de sua própria incompetência.

Convém lembrar que o dinheiro injetado pela China por aqui, através desses acordos, não vem de graça. "Financiamento" significa que esta conta deverá ser paga ali adiante. Mas isso não interessa a Dilma por enquanto. Conta mais, por hora, poder mostrar alguma notícia positiva na TV.









Nenhum comentário :

Postar um comentário

Seu comentário será exibido após análise do editor.