domingo, 17 de maio de 2015

O dilema do PMDB:
derruba Dilma ou cai com ela


As revelações de Ricardo Pessoa tem potencial de abreviar
o mandato de Dilma Rousseff e, com ela, de Michel Temer.
Tensão em Brasília. Que aumenta a cada dia.

Depois que o megaempresário Ricardo Pessoa assinou o acordo de delação premiada, o cenário ficou ainda mais preocupante para o PT e, de arrasto, para o PMDB. Mas este suposto principal aliado do governo petista, curiosamente, está diante de uma encruzilhada, que pode apontar tanto para a sua ruína quanto sua... digamos... saída à francesa.

Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC e apontado pela PF como o chefe do cartel de empreiteiras que, em conjunto com políticos e altos funcionários da Petrobras, desviaram bilhões da companhia para sustentar o projeto de poder do PT, é amigo muito próximo de Lula. Sabe muito sobre os meandros do poder e, em especial, sobre o objeto de investigação da operação Lava-Jato. O "petrolão" é a sua praia.

Pessoa mal começou a falar, e já confirmou uma informação importante que outros delatores também haviam apontado, atingindo diretamente a campanha eleitoral de Dilma em 2014 e sua contabilidade. Tendo avisado que está disposto a contar o que sabe ("Não vou poupar ninguém!", avisou), o dono da UTC teria indicado aos procuradores da força-tarefa da Lava-Jato que parte dos R$ 26,8 milhões que o PT pagou à VTPB Serviços Gráficos e Mídia Exterior na campanha de 2014 teve origem no petrolão.

Só a campanha de Dilma injetou na VTPB quase R$ 23 milhões, dinheiro que daria para imprimir 368 milhões de santinhos do ‘tipo cartão’, modelo descrito nas notas fiscais anexadas à prestação de contas. A propósito, o montante é duas vezes e meia o total de eleitores habilitados no país.

Enfim, indício contundente de lavagem de dinheiro, roubado da Petrobras e depois declarado oficialmente entre os gastos de campanha da chapa Dilma/Temer.

Aí é que surge o dilema do PMDB.

Se a investigação avançar, e for comprovada a falcatrua petista com a gráfica, há um motivo para o pedido de cassação da chapa de Dilma Rousseff por financiamento ilegal de campanha. A lei é clara. E, neste caso, junto com Dilma cairia Michel Temer, seu vice, por estar na mesma chapa.

O PMDB, para evitar o naufrágio do seu presidente com a canoa furada de Dilma, estuda, agora, uma alternativa, que há pouco era abertamente descartada pelo presidente da Câmara, o deputado peemedebista Eduardo Cunha: abrir um processo de impeachment da presidente, por outros motivos, como improbidade administrativa com relação à Petrobras, e não pela campanha de reeleição.

Assim, com o eventual impedimento de Dilma, preservaria a figura de Michel Temer, que assumiria a presidência e levaria o PMDB ao comando total do país, já que também ocupa a presidência do Senado, com Renan Calheiros.

Um cenário que renderia farta inspiração para Dante Alighieri: Michel Temer, presidente da República; Renan Calheiros, presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional; e, completando o quadro, Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

Aos peemedebistas, ao menos, tem parecido um quadro animador. Certamente mais favorável do que uma possível cassação de Dilma e Temer, ocasionando uma eventual convocação de novas eleições, de resultado absolutamente imprevisível.









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