sexta-feira, 12 de junho de 2015

Pacote de 'investimentos' em logística:
plano pra boi dormir

Dilma anunciou planos de bilhões,
mas o que o governo vai investir é isso aqui, ó!

O pacote bilionário de concessões em infraestrutura que o governo federal anunciou nesta semana, com pompa e circunstância, para alavancar o desenvolvimento do Brasil através de investimentos em logística, não passa de um grande engodo embrulhado com uma bela campanha de marketing para salvar a imagem da presidente Dilma.

Um gigante plano de privatizações, ao melhor estilo neoliberal, que o envergonhado governo petista chama pelo eufemismo de "concessões". E, pior, pretende fazer crer que está investindo bilhões, enquanto que os eventuais investimentos viriam todos da iniciativa privada.

Como de costume, Dilma enfeita-se com penas alheias.

Senão, vejamos:

1 – Falou-se de investimentos de R$ 198 bilhões, os maiores da história para o setor. Para o observador desatento, pode parecer que o governo resolveu abrir os cofres. O que já seria um contrassenso, em pleno corte de gastos de toda ordem em razão do 'ajuste fiscal'. Mas na verdade o programa, por enquanto apenas uma carta de intenções, prevê a concessão de estradas, ferrovias, portos e aeroportos para a iniciativa privada. São as empresas que deverão investir, para, em troca, usufruírem da concessão por períodos de até 30 anos, renováveis por iguais prazos. O nome disso é privatização, palavra tão abominada pelos petistas quando eram oposição.

2 – Quem vai pagar essa conta, no final, é o cidadão, através de pedágios, taxas e tarifas aos operadores dos serviços. O governo, além de não gastar nas obras, mesmo cobrando impostos para isso, vai forrar os cofres com os valores pagos pelos vencedores das licitações, além dos novos impostos que os pedágios e taxas vão gerar.

3 - As primeiras licitações devem começar a ser publicadas somente a partir de 2016. Outras poderão levar anos. Primeiro tem toda uma fase de estudos técnicos, que já costuma ser demorada, e neste caso, com a complexidade e a diversidade de projetos, vai consumir muitos meses até começar a se transformar em investimentos.

4 - Alguns projetos já se mostram inviáveis, como a badalada ferrovia “bioceânica”, que pretende ligar o Atlântico ao Pacífico, partindo do Rio em direção ao Peru, vencendo os Andes. Estudos preliminares já indicam que o custo do escoamento de grãos por esse modal, que seria financiado pela China, seria maior do que o do transporte realizado atualmente por navios, isso sem considerar o investimento necessário para a construção da ferrovia. As coincidências com a promessa do trem-bala são meras semelhanças. Outros projetos do pacote também não têm despertado interesse no mercado, pela expectativa de alto custo e baixo retorno.

5 – Mesmo as obras que vierem a ser realizadas somente começarão a produzir algum resultado daqui a alguns anos. E ainda muito modestos. Estima-se que, se todas as obras contempladas no anúncio fossem realizadas, haveria um incremento anual de 0,25% no PIB, segundo o próprio ministro Joaquim Levy. Os gargalos de infraestrutura são expressivos por todo o país, há uma defasagem de décadas, e não será em dois ou três anos que tudo estará resolvido.

Enfim, o grande Plano de Investimentos em Logística da Dilma é só mais um amontoado de promessas, bem ao estilo da última campanha eleitoral.








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