segunda-feira, 13 de julho de 2015

PT: um governo para os banqueiros



Nunca antes na história deste país um governo destinou tanto dinheiro dos contribuintes para o sistema financeiro.

De todo o orçamento da União em 2014, que foi de R$ 2,86 trilhões, 47% foram destinados ao pagamento de juros e amortização da dívida pública, representando R$ 1,36 trilhão. Imagina o que esse dinheiro poderia ter feito na educação, na saúde, na segurança...

Destes 47%, entretanto, apenas 3 pontos percentuais são empregados para amortização, ou seja, pagamento efetivo da dívida. O restante (44%) é gasto simplesmente com juros.  A dívida, portanto, continua, na prática, sem ser paga, servindo apenas para permanecer gerando juros que vão continuar engordando os cofres dos grandes agentes financeiros.

Detalhe: cerca de 88% da dívida pública do Brasil tem como credores os principais bancos privados, que estão nas mãos de 11 famílias. Os outros 12% referem-se a títulos do governo adquiridos por pequenos investidores avulsos, como pessoas físicas e fundos de investimentos.

A taxa básica de juros (Selic), hoje em 13,65% ao ano, cumpre um papel perverso nessa farra do dinheiro público. É essa taxa que vai determinar os juros que o governo paga para quem empresta dinheiro para o próprio governo. A cada ponto percentual elevado na Selic, o governo desembolsa mais R$ 100 bilhões por ano, que deixam de ser investidos em educação, saúde ou infraestrutura para cair direto nos cofres dos grandes banqueiros.

Outro detalhe: o dinheiro que o governo gasta não é do governo. É do contribuinte. Das empresas e dos cidadãos pagadores de impostos. Da sociedade, que não tem alternativa senão ser vítima da extorsão oficial e aguardar, ingênua e pacientemente, que parte desse dinheiro retorne em forma de serviços e investimentos em saúde, educação, segurança,. infraestrutura...

Ao passo em que os Estados Unidos, para combater a crise que eclodiu em 2008, abaixaram seus juros para perto de 0%, mesma postura adotada por Japão e outras economias mais responsáveis, o governo tupiniquim da sétima economia do mundo age na contramão, elevando os juros com o discurso de combater a inflação através da retração do consumo. Acabou por agravar a doença pelo excesso de remédio ministrado ao paciente.

A consequência todos conhecemos. Enquanto a crise internacional já ficou para os livros de História e os Estados Unidos, há anos, ostentam novamente altos índices de crescimento (dados deste semestre indicam elevação do PIB americano próximo de 5%, o maior dos últimos 10 anos), o Brasil vê seu Produto Interno encolher a cada ano. Em 2014 encostou em 0%, e para este ano já se estima retração próxima de 2%. E Dilma segue culpando a "crise internacional"...

Ainda assim, o governo do Partido dos Trabalhadores, que tem se empenhado para servir ao grande capital, e não ao trabalhador, segue forrando os cofres do sistema financeiro, enquanto (o que é ainda mais perverso) sacrifica a nação em nome do seu ajuste fiscal, cortando benefícios dos trabalhadores e dizimando investimentos em educação, saúde e segurança.

Na verdade, os atos, mais do que os discursos oficiais, revelam que todo o empenho está sendo empregado para retirar recursos que deveriam ser destinados à sociedade, que não tem demonstrado muito poder de reação, para agradar aos grandes agentes do capital financeiro, cujo poder de persuasão tem se revelado muito eficaz. Joaquim Levy que o diga.









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