terça-feira, 18 de agosto de 2015

Equilíbrio e moderação: ensinamentos de José Guimarães

Quanta vocação pra asneira!

O deputado José Guimarães (PT-CE), líder do governo petista na Câmara, irmão do mensaleiro José Genoino e conhecido pelo escândalo dos dólares nas cuecas, produziu novas pérolas ao criticar recentes declarações de Fernando Henrique Cardoso. O ex-presidente escreveu ontem, na sua página do Facebook, que Dilma deveria fazer um "gesto de grandeza", como renunciar ou assumir seus erros.

Guimarães, cuja miopia moral não lhe permite enxergar o próprio nariz, e que, com seu olfato prejudicado, não tem se incomodado com toda a porcalhada produzida no seio de seu partido, em especial pelo Grande Brahma, saiu-se com esta:

— A gente sempre espera equilíbrio e moderação de um ex-chefe da nação. Ele (FHC) deveria não enveredar por esse caminho golpista...

Nem parece que o boquirroto ex-presidente Lula é de seu partido. Alguém conhece "ex-chefe da nação" mais desequilibrado e sem moderação? Quantos palanques Brasil afora já balançaram sob os berros inflamados, as grosserias, os palavrões e as incitações à violência exauridos pelo Brahma? "A gente sempre espera equilíbrio e moderação de um ex-chefe da nação (exceto do nosso, claro) ..."

E como não poderia faltar em um pronunciamento petista, o mantra do "golpismo" permanece na pauta. É preciso repetir tantas vezes quanto possível que qualquer crítica, denúncia ou indignação com relação ao oceano de lama, à inépcia e absoluta incompetência que marcam o governo petista de Dilma Rousseff, sejam tidas como "golpe". Mesmo que respaldadas pela maior operação contra corrupção já desencadeada na história do país, a Lava Jato, que vem na esteira do mal resolvido Mensalão e já apontando esguichos para a Eletrobras, Angra III, Belo Monte, BNDES, obras no exterior, obras do PAC... Mesmo que referendadas pela menor aprovação de um presidente da história: espantosos 7%, abaixo dos 12% de Collor antes de seu impeachment. Mesmo que milhões de brasileiros já tenham saído três vezes às ruas só neste ano pedindo a destituição da presidente, nas maiores manifestações populares da história...

"É golpe!", ainda diz Guimarães, que, além de visão e olfato lesados, parece também não ouvir direito, e ainda padecer de certo déficit cognitivo que tem afetado letalmente seu senso de ridículo.








segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Governo louco, ouvido mouco.



"Devo, não nego, pago quando puder..."
A frase do malandro caloteiro ecoou no Planalto hoje, adaptando-se, em dilmês, a cada boca da qual era pronunciada. Isso em plena ressaca da segunda maior manifestação popular contra o governo deste ano, e uma das maiores da história do país.

Dilma, de novo, não ousou se pronunciar, ressabiada com mais panelaços. Mandou seu comunicador Edinho Silva dizer que o governo "viu as manifestações dentro da normalidade democrática". E só. Não deu qualquer resposta. Não se importou, ou fez de conta que não, com a terceira leva de milhões de brasileiros indignados.

Eduardo Cunha elogiou o "caráter ordeiro" das manifestações. Renan Calheiros disse que "não é hora de falar das manifestações, é hora de ouvir".

Brasília não tem o que dizer. Não sabe o que dizer. E o que o povo quer ouvir, não é o que querem dizer. Então dizem nada. Como se nada estivesse sendo pedido, e como se estivesse tudo muito bom, tudo muito bem. Tudo dentro da "normalidade democrática"...

O governo de Dilma Rousseff, que já não governa, tem hoje apenas uma agenda: manter-se lá. O que implica, neste momento, em fechar os ouvidos, os olhos e a boca. "Deixa quieto... Quem sabe passa..."








quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A mensagem cifrada de Michel Temer: "Serei o novo presidente."

"É preciso que alguém tenha a capacidade de reunificar a todos".
Só faltou dizer: "esse cara sou eu".
No reinício das atividades do Congresso, após o "recesso branco", inaugurando o segundo semestre com uma enxurrada de iniciativas para preparar o nocaute do governo de Dilma Roussef, como a criação das CPIs do BNDES e dos Fundos de Pensão sem integrantes de parlamentares do PT na mesa de trabalhos, surge, para falar em nome do governo, o vice-presidente Michel Temer.

Ele pode falar em público e de improviso, ao contrário da titular da presidência, porque, além de evidente fluência na comunicação, com frases completas e que fazem sentido, não corre o risco de ter suas falas abafadas por vaias.

Em um único parágrafo, Temer deu um depoimento à imprensa na tarde da última quarta, 05, logo após se reunir com Dilma e depois de ter conversado com parlamentares da base no Senado e na Câmara, em sua residência. As frases bem elaboradas, com palavras precisas, deram mais uma amostra de sua habilidade, não apenas como orador, mas como um articulador eficaz.

A fala, na íntegra, segue ao final, mas algumas palavras e frases, que destaco antes, revelam que, atrás de uma aparente missão de proteção ao governo de Dilma Roussef, Michel Temer desenha um cenário do qual ele próprio é o cenógrafo e onde pretende atuar como o protagonista.

Michel Temer, homem experiente e político habilidoso, não usa palavras aleatórias, ao contrário de sua 'chefa'. Cada termo é pinçado e alocado com precisão cirúrgica. Foi assim seu pronunciamento, que, demonstrando certa tensão e alguma ansiedade, incomuns em suas falas, deixou mensagens objetivas nas entrelinhas:


  • "Há uma crise política se ensaiando". Todos sabemos que a crise política já está instalada, e em pleno vigor. Se algo está "se ensaiando", só poderá ser o agravamento dela, com desdobramentos radicais e extremos. Então o que realmente está "se ensaiando" são os movimentos pelo impeachment no Congresso, que têm o correligionário peemedebista Eduardo Cunha como maior facilitador.
  • "Vocês sabem que ao longo do tempo nós tivemos sucesso na articulação política". O "nós" se refere a ele próprio, Temer. O vice-presidente valoriza-se e projeta-se como um político eficaz e bem sucedido articulador e pacificador, o que seria essencial em momentos de crise e, principalmente, de transição.
  • "Hoje, quando se inaugura o segundo semestre, agrava-se uma possível crise". O segundo semestre é tido pelo próprio PMDB como decisivo para a permanência ou não de Dilma na presidência. Lideranças do partido já deram como certa sua queda antes de outubro. O reinício das atividades do Congresso já deu, em poucos dias, bons sinais nesse sentido, que se somam à análise das contas de Dilma pelo TCU, com forte probabilidade de serem rejeitadas e abrirem mais um pretexto para um processo de impeachment no Congresso, e ao avanço desenfreado da operação Lava Jato, que deve confirmar nos próximos dias o acordo de colaboração premiada de Renato Duque, indicado pelo PT na Petrobras e que deverá escancarar a participação dos maiores líderes petistas na pilhagem da estatal.
  • "É preciso que alguém tenha a capacidade de reunificar a todos, de reunir a todos". Só faltou dizer: "esse cara sou eu".
  • "É preciso pensar no país. Acima dos partidos, acima do governo e acima de toda e qualquer instituição está o país". Notem bem: "acima do governo...". Ou seja, para "pensar no país" e querer que ele vá "bem", como disse logo depois, é preciso agir "acima do governo". Acima DESTE governo, porque ele já não representa a nação. Já não governa, não tem a capacidade de reerguer o país e nem mesmo conta com um mínimo de aprovação da sociedade. 

Em uma frase, o pronunciamento poderia ser traduzido assim: "Teremos a seguir momentos decisivos para o futuro do país, que exigirão uma transição, e eu sou a pessoa adequada para liderar esse processo." Ou mais enxuto ainda: "Serei seu próximo presidente."

Esta foi a fala completa:

"Na pauta dos valores políticos temos, muitas vezes, a ideia do partido político como valor, do governo como valor e do Brasil como um valor. Mas nessa pauta de valores, o mais importante é o valor Brasil, o valor País, e estamos pleiteando exata e precisamente que todos se dediquem a resolver os problemas do País.
Não vamos ignorar que a situação é razoavelmente grave. Não tenho dúvida que é grave. E é grave porque há uma crise política se ensaiando, há uma crise econômica que está precisando ser ajustada, mas para tanto é preciso contar com o Congresso Nacional, é preciso contar com os vários setores da nacionalidade brasileira.
Então eu quero, digamos assim, como articulador político do governo, eu quero fazer esse apelo. Vocês sabem que ao longo do tempo nós tivemos sucesso na articulação política, mas hoje, quando se inaugura, exatamente, o segundo semestre, agrava-se uma possível crise. E nós precisamos evitar isso. Isso em nome do Brasil, em nome do empresariado brasileiro, em nome dos trabalhadores. 
É preciso que alguém possa, tenha a capacidade de reunificar a todos, de reunir a todos, e fazer este apelo. E eu estou tomando esta liberdade de fazer este pedido, porque, caso contrário, nós podemos entrar numa crise desagradável para o país.
Eu sei que os brasileiros não contam com isso. Os brasileiros querem que o Brasil continue na senda do desenvolvimento, na trilha do desenvolvimento, e por isso que, mais uma vez, eu reitero: é preciso pensar no país. Acima dos partidos, acima do governo e acima de toda e qualquer instituição está o país. Se o país for bem, o povo irá bem."