terça-feira, 21 de abril de 2020

Denúncia de Jefferson põe Maia na parede

Depois do vídeo bombástico em que o presidente do PTB, ex-deputado que revelou o "mensalão" de Lula, denunciou a trama encabeçada por Rodrigo Maia para derrubar Bolsonaro, o presidente da Câmara dos Deputados submergiu.

Na segunda, cancelou todos os compromissos e não apareceu em público. Algumas das agendas foram canceladas pelas pessoas que iria encontrar. Seu nome virou repelente. Na tarde de hoje, apenas teve uma breve videoconferência com líderes partidários para definir a pauta de votações da Câmara nesta semana.

As entrevistas diárias à TV para fustigar Bolsonaro foram substituídas por intensa conversação privada com aliados — ou comparsas, como diria Jefferson.

Maia viu-se encurralado por todos os lados. A exposição pública de seus planos potencializou a rejeição popular, que já não era pequena. A hashtag #ForaMaia, que foi "derrubada" pelo Twitter depois de atingir mais de 1,7 milhão de tweets na semana passada, foi substituída pelos internautas pela #MaiaInimigoDoBrasil, que hoje ocupava o topo dos trends.

Não bastasse a fúria popular, o procurador-geral da República, Augusto Aras, cobrou de sua equipe no Ministério Público Federal a conclusão das investigações sobre Botafogo — codinome de Rodrigo Maia nas planilhas de propina da Odebrecht —, alvo de graves denúncias de corrupção, há muitos meses convenientemente esquecidas em alguma gaveta.

E para tirar de vez o sono de Nhonho, na tarde de ontem o ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, convocou uma reunião com os chefes das Forças Armadas.

Participaram apenas os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, que dispensaram seus respectivos assessores, e foram orientados a manter sigilo total sobre a reunião.

Ao final do encontro, apenas divulgaram uma nota, vaga e evasiva (leia no final do texto), mas com alertas nas entrelinhas: não vão tolerar movimentos conspiratórias, à margem da Constituição, que possam se utilizar da pandemia para criar instabilidade no comando do país. E sutilmente reafirmaram seu alinhamento com Bolsonaro, repetindo seus discursos sobre a preocupação com o vírus e suas consequências sociais, não apenas de saúde.

Ao final do encontro, fizeram contato com o presidente do STF, Dias Toffoli, cujo teor não foi revelado, e hoje indicaram que Maia será procurado por ministros militares próximos a Bolsonaro, como os generais Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

Bolsonaro, segundo interlocutores, avalia postergar esses encontros, para observar os próximos movimentos de Maia antes de revelar suas próprias jogadas, como em um tenso jogo de xadrez político. Assessores do Planalto calculam que a vantagem que Maia supunha ter, na batalha contra o presidente, rapidamente se inverteu. Botafogo está em xeque.

Mas como estava apostando alto, viciado no jogo, talvez não queira ainda deitar seu rei no tabuleiro, e escolha dobrar a aposta e reagir. Antes, contudo, precisa saber com quantas peças ainda conta para seguir com o jogo. Muitas estão desertando.


  • Nota do Ministro da Defesa, Gen. Fernando de Azevedo e Silva:

    “As Forças Armadas trabalham com o propósito de manter a paz e a estabilidade do País, sempre obedientes à Constituição Federal.
    O momento que se apresenta exige entendimento e esforço de todos os brasileiros.
    Nenhum país estava preparado para uma Pandemia como a que estamos vivendo. Essa realidade requer adaptação das capacidades das Forças Armadas para combater um inimigo comum a todos: o Coronavírus e suas consequências sociais.
    É isso o que estamos fazendo.”











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