segunda-feira, 13 de abril de 2020

"Eu não assisto à Globo!"


Bolsonaro foi perguntado, nesta manhã, sobre o que achava da entrevista do Mandetta ao Fantástico. A resposta foi mais do que uma simples esquivada: "Eu não assisto à Globo. Vou perder tempo da minha vida assistindo TV Globo agora?"

Não foi apenas uma maneira fácil de fugir de uma pergunta incômoda. Foi um recado assertivo: há coisas importantes para tratar agora. Assistir à Globo não apenas rouba um tempo precioso, mas atrapalha os esforços. Por isso o início da resposta foi "Eu não assisto à Globo". Já não assistia antes, e com razões para tanto, muito além do desperdício do tempo.

A emissora que dedica toda a sua programação, em todas as plataformas, para atacar, desacreditar, ridicularizar, desgastar e enfraquecer o Presidente para, na sequência, derrubá-lo, não tem mais máscaras. O que antes era sutil e subliminar, agora é ostensivo.

A entrevista do Mandetta ao Fantástico está no contexto dessa guerra. O homem que é potencializado pela própria mídia como o principal antagonista do momento ao Presidente da República ganha — e aceita — um espaço nobre para reforçar a narrativa: "ignorem Bolsonaro".

A mesma emissora que ignorou a suspeita de um juiz sobre R$ 256 milhões em CDBs encontrados em uma conta de Marisa Letícia no Bradesco, porque estava ocupada demais em detalhar as implicações de uma visita de Bolsonaro a uma padaria; a rede de comunicação que desligou as câmeras e microfones diante das enormes manifestações que tomaram as ruas de São Paulo, no sábado e no domingo, contra o governador João Doria, porque estava muito empenhada em procurar "especialistas" para desacreditar a hidroxicloroquina, como o Dr. Marcos Boulos, que, não por coincidência, é pai de ninguém menos que o caricato Guilherme Boulos; a mídia que não repercute a fala do ministro Mandetta, na coletiva de sábado, em que ele reforça a liderança do Presidente Bolsonaro frente a todo o ministério e que acertadamente quer impedir a catástrofe econômica através da retomada gradual de atividades ao mesmo tempo em que se intensificam os cuidados com a pandemia — em lugar de uma escolha entre um e outro —, mas no horário nobre do domingo exibe uma entrevista editada, em que apenas as frases que pudessem revelar antagonismo a Bolsonaro vão ao ar, entre perguntas capciosas inseridas — em edição — antes de frases genéricas para dar-lhes outra conotação; a TV que aposta na dobradinha do caos econômico com o sucesso do vírus chinês para tirar do comando do país quem ousou fechar as torneiras do dinheiro público que irrigava os cofres da "grande mídia", essa mesma Rede Globo, em vez de cumprir seu papel, utilizando-se de espaços de comunicação concedidos pelo Estado brasileiro para servir à população brasileira com conteúdo honesto, tem se prestado a apenas um propósito: manipular a informação e, assim, a opinião pública.

Aliás, nenhuma novidade aí. O inusitado é um integrante do primeiro escalão do governo Bolsonaro aderir ao time adversário.

No momento em que Mandetta aceita fazer parte desse jogo, sua posição também revela uma máscara que cai. Se há uma guerra, em paralelo àquela contra o vírus, Mandetta assumiu sua posição ao lado de Globo, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, Centrão, partidos de esquerda, sindicatos e algumas excremências do STF do pedigree de Gilmar, Lewandowski e Toffoli.

O ministro que, há algumas semanas, afirmava com segurança que o pico e os momentos mais duros da epidemia seriam no começo de abril, e agora diz, na entrevista exclusiva, que "sempre sabíamos que os momentos mais duros seriam em maio e junho", faz virar uma tragédia o que antes era só uma anedota: que a cada semana se dizia que o pior seria na próxima. Se "sempre sabíamos", por que raios anunciavam lá atrás um confinamento de 15 dias? Vai ficando sempre mais claro que não há ciência alguma por trás de tanta retórica. Apenas exercícios com o bico dos pés. Estão todos chutando e tateando no escuro, mas alguns com holofotes. Para si próprios, evidentemente.

Sobre a pandemia, Mandetta também deixa revelar que soube como começar a combatê-la, mas não sabe como continuar e nem como ou quando terminar. E isso enquanto solenemente desdenha das notícias promissoras sobre a hidroxicloroquina que vêm de vários cantos do planeta. Nada que Bolsonaro afirme poderá ser apoiado. Mesmo que custe muitas vidas.

Para ele, basta repetir, junto com essa mídia aí de cima: "fica em casa".

Os que não tinham mais estratégia para derrubar o presidente que está quebrando o "sistema", ou o "mecanismo", agora terão o álibi perfeito: a ruína econômica do país, cuja reconstrução ironicamente ele estava liderando, e heroicamente tenta preservar em meio à histeria que pega carona com o vírus chinês para acelerar a chegada do pandemônio do desemprego, da fome e do caos. E que, seguramente, largarão sobre seus ombros.

Mais uma vez #BolsonaroTemRazao. E você não tem mais desculpas para não perceber.










Nenhum comentário :

Postar um comentário

Seu comentário será exibido após análise do editor.