sexta-feira, 24 de abril de 2020


O lado de Bolsonaro


Começo dizendo que estou no mesmo lado daquele time fantástico de ministros que compõem o governo Bolsonaro, que o acompanhou no pronunciamento. Homens honrados e que são leais ao presidente e à continuidade do projeto pelo qual nós o elegemos.

Se precisamos escolher um lado, minha escolha foi feita há muito tempo, foi consolidada em voto em 2018, e permanece inalterada.

Do outro lado está tudo contra o que lutamos. Esquerda depravada, mentirosa e assaltante; políticos demagogos e oportunistas com seus próprios projetos e mordomias, agarrados às tetas públicas; partidos e seus caciques famintos por cargos em estatais e as chaves de seus cofres; setores do judiciário comprometidos com o crime, em especial dos poderosos; sindicatos que usurpam os trabalhadores que fingem representar apenas para sustentar os projetos da esquerda; setores da imprensa em crise de abstinência de verba pública que aderiram à banda podre da política para, todos juntos, ressuscitarem o chiqueiro em que haviam transformado o Brasil, e cuja faxina Bolsonaro começou a fazer. Todos juntos para derrubar Bolsonaro, e neste momento em festa enaltecendo mais um que surge para fragilizar seu governo. Parece surreal, mas ate a esquerda está louvando Sergio Moro.

Esse outro lado não é uma entidade abstrata e anônima. Tem nome. Muitos nomes, na verdade: Lula e todo a sua caterva, seu novo amigo João Doria, Wilson Witzel e assemelhados, Carlos Lupi e Ciro Gomes, Maia, Gilmar, Lewandowski e Toffoli, Folha, Estadão, Globo... A lista é enorme. Mas jamais contará com o meu nome.

Dito isto, lamento o dia de hoje. Perdemos um general, mas a guerra continua.

Bolsonaro, em seu pronunciamento, fez o que deveria ter feito. Não poderia deixar passar em branco o gesto grave de Sergio Moro. Obviamente precisava responder, dada a magnitude do nome de Moro, a repercussão de seu pronunciamento de manhã, e a própria maneira impetuosa com que renunciou ao cargo de ministro.

Da mesma forma que o pronunciamento de Moro foi bombástico, e gravíssimo, o de Bolsonaro também o foi. Com algumas semelhanças, mas mais diferenças, a começar pelo tom.

Moro fez acusações e insinuações fortes, e não tínhamos razões para não acreditar. Bolsonaro reagiu, em contundência ainda maior, e igualmente não nos dá razões para não acreditarmos.

Alguns dos fatos elencados por Bolsonaro já eram conhecidos. A dificuldade — ou leniência? — da PF em identificar quem mandou matá-lo e quem pagou os advogados de Adélio, o caso do porteiro, da morte da vereadora Mariela, a ideologia desarmamentista de Moro em confronto com a linha do governo, indicações para cargos de pessoas ideologicamente antagônicas etc. etc.

A indicação do diretor da PF foi só a gota d'água que entornou o balde. Bolsonaro deixou claro, como se fosse preciso, que a escolha e nomeação é prerrogativa do Presidente, prevista em lei. Se Moro realmente não aceitou essa condição, demonstrou insubordinação. A confusão que se faz entre nomeação e exoneração de cargos com ingerência nas atividades foi explorada por Moro em seu pronunciamento, e Bolsonaro tratou de desfazer. Assim como o presidente se dirige a qualquer um na cadeia de comando do Executivo, como o chefe da inteligência militar, da Abin, do Coaf, da Caixa, do IBGE, por que não poderia fazê-lo com o diretor da Polícia Federal? Todos eles se reportam a um mesmo chefe, o Presidente da República, ainda que haja outros níveis hierárquicos entre eles. Precisaria um Presidente pedir autorização a um ministro? Para exemplificar, traço um paralelo com governadores de estados, que nomeiam os chefes das polícias civil e militar, sem precisar de autorização dos respectivos secretários de segurança, e com eles conversam diretamente quando assim entendem necessário.

Há muitos outros temas que foram objeto dos pronunciamentos de Moro e Bolsonaro. Não é preciso dissecá-los todos. Em síntese, penso que Bolsonaro foi levado a uma situação de tensão criada por Moro, e não o contrário. O gesto de Moro, de primeiro convocar a imprensa para, ainda como ministro, jogar merda no ventilador, para depois cuspir no prato e anunciar sua retirada, ainda que num primeiro momento tenha lhe conferido alguma aparente estatura moral superior, em pouco tempo revelou-se um erro. Se comparada à saída de Mandetta, com muito mais razões para virar o coxo, Moro apequenou-se ao se retirar desse jeito. Eu mesmo, no primeiro momento, deixei-me levar pela emoção de sua primeira fala, e até o chamei de gigante. O tempo se encarregou de mudar minha percepção.

Bolsonaro não tinha como deixar por isso mesmo, e a resposta tinha que ser no mínimo no mesmo tom, mas acabou sendo ainda mais forte.

Penso que o fez com muito pesar. Preferia não ter que manchar a biografia de uma pessoa com tantas virtudes. Mas Moro não lhe deixou alternativa. Melhor seria se o ex-ministro tivesse observado e respeitado o projeto de nação que está em jogo, seu papel no time que integrava e a lealdade ao seu líder, em vez de colocar no primeiro plano sua própria biografia.

Moro não é um mau caráter por causa disso. Nem virou comunista ou qualquer dessas bobagens com que se xingam adversários de Bolsonaro por aí. Tem muitos méritos, uma história honrosa, conquistas fabulosas no combate à corrupção e, presume-se, uma personalidade louvável, de correção, austeridade e honradez. O que não o exime de equívocos, como a qualquer ser humano.

Bolsonaro não é diferente. Tem virtudes louváveis, e muitas, como também suas falhas.

Não deixo de reconhecer as virtudes de Moro por causa dessa atitude, mas também não fecho meus olhos ao que considerei inadequado.

Da mesma forma, Bolsonaro não é um mito, tem seus defeitos, mas não será por esse episódio que deixará de contar comigo nessa guerra que iniciamos bem antes de 2018.

Prefiriria não ter que escolher um lado, mas se Moro colocou essa condição, meu lado continua sendo o mesmo. Em meio àquele time fantástico de ministros que seguem em luta pela nossa nação. O exato oposto daqueles outros nomes, que não estão de quarentena em sua guerra suja.

Vida que segue. O Brasil ainda precisa de nós. Temos Maias, Mendes, Lewandowskis, Lulas, Folhas e Globos de quem nos defender e contra quem lutar.

Selva!










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