quarta-feira, 20 de maio de 2020

Ainda bem


A frase mais que infeliz do ex-presidiário é mais reveladora do que parece à primeira vista. Ainda bem que ela rapidamente se alastrou, e muitas pessoas tomaram conhecimento a tempo, antes de ser abafada por qualquer outra polêmica de menor importância.

Ainda bem que a verborragia de Lula, como o todo de sua natureza, não foi suficientemente dissimulada depois de sua temporada nas dependências da Polícia Federal em Curitiba. Ainda bem que podemos seguir percebendo Lula como ele é.

A sentença asquerosa é mais uma que se soma à coletânea de impropérios já proferidos pelo falsário de Garanhuns e, mesmo se não fosse isolada do contexto em que foi proferida, segue revelando a mente totalitária e desprezível do ídolo da esquerda brasileira.

Dizer que uma pandemia do poder destrutivo do vírus chinês tem algo de positivo já seria suficientemente condenável. Uma demonstração inequívoca do desprezo pela vida das pessoas comuns. Lula considerou a tragédia um presente da natureza porque permite comprovar sua tese totalitária da supremacia do Estado sobre as pessoas. Pouco importam as vidas ceifadas e a desolação das famílias, tampouco o desemprego, a fome, a degradação da vida. Isso é dádiva, "ainda bem" que a natureza nos trouxe esse monstro. Porque o que importa é provar a qualquer custo, mesmo o de centenas de milhares de mortes, que o projeto totalitário que seus governos tentaram infligir ao país e à América Latina estavam corretos.

Lula diz na sequência que "apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises", a mesma ideologia marxista de sempre. O Estado deve cuidar das pessoas, não as próprias pessoas, não a iniciativa privada. Tudo deve ser tutelado pelo Estado, desde a saúde pública até a renda, passando pela segurança e a educação, ao melhor modelo comunista idealizado por Marx e Engels no séc. XIX.  Como se o Estado fosse fonte eterna e inesgotável de recursos.

Esse é o discurso original, que não deixa de ser um cândido conforto aos preguiçosos e desafeitos ao trabalho, e aos avessos à liberdade alheia de criar e de empreender. Mas o que a esquerda latina aprendeu desde cedo é que um Estado grande, onipresente, é também uma máquina administrativa aparelhada, com muitos cargos a serem preenchidos pelos peões da revolución, reforçando o aparato dissuasório sobre a sociedade. Uma fonte inesgotável de recursos para a manutenção do projeto e, em especial, para os bolsos dos líderes. Cuba e Venezuela estão aí para comprovar. Essa foi a lógica dos governos petistas, por onde passaram, seja em Brasília ou nos estados e municípios em que puseram seus pés e suas mãos, e onde lamentavelmente ainda põem.

As muitas experiências ao redor do mundo que tentaram praticar o impraticável, idealizado no Manifesto Comunista de 1847, resultaram em mais de 120 milhões de mortos, perseguições e prisões, miséria e fome, e elites abastadas e intocáveis. Alguns recantos da América Latina, orientados a partir de Cuba, ainda resistem a se render aos fatos e à História, à custa de muito sofrimento de seus povos. O Foro de São Paulo, fundado por Lula e Fidel Castro, pretendeu alastrar essa insanidade por toda a América do Sul. Hoje apenas Cuba e Venezuela não foram libertos de seus líderes genocidas moldados pela cartilha, enquanto a Argentina flerta perigosamente com uma guinada de volta ao projeto bolivariano com o retorno de Cristina Kirchner ao poder. Mas as demais democracias que vinham sendo capturadas pelos planos do Foro de São Paulo, hoje substituído pelo Grupo de Puebla, felizmente estão acordando. Ainda bem.

Lula não pode abandonar seu grande projeto, o que é previsível. Seguirá até seus últimos dias, de vida ou de liberdade, disseminando seu falatório totalitário camuflado de sensibilidade popular para manter vivos seus ideais de subjugação da América Latina. Ainda bem que Sigmund Freud nos deu a conhecer o que são "atos falhos", e ainda bem que Lula os comete em abundância.

Curiosamente no mesmo dia em que o larápio-mor, símbolo da esquerda brasileira e latina, defende mais empoderamento do Estado, Donald Trump anuncia uma desregulamentação histórica da economia americana, para acelerar a retomada do crescimento do país. Essa nova ordem determina que as agências governamentais devem identificar quaisquer regulamentações que possam ser temporária ou permanentemente suspensas para “promover a criação de empregos e crescimento”. A maior economia do mundo, que tem o maior fôlego, as maiores reservas e as melhores condições de prover ajuda estatal às pessoas, entende que quem produz riqueza, renda, emprego e, em consequência, melhores condições de vida para a população, é a iniciativa privada. Eles aprenderam desde cedo outros valores, mais salutares e honrosos para a vida e a liberdade de seus cidadãos, sintetizados na célebre sentença de Margaret Thatcher: "Não existe essa coisa de dinheiro público; existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos."

Lula já emitiu nota em que pede desculpas "aos que se sentiram ofendidos", o que certamente exclui seus fanáticos adoradores, que passaram o dia justificando, relativizando ou mesmo ignorando a fala desastrosa. Mas ele apenas se referiu, no falso mea culpa – que só aconteceu em razão da forte e imediata repercussão negativa –, ao trecho do "ainda bem que a natureza criou o coronavírus". Nenhuma palavra sobre o resto, que é tão infame quanto celebrar o vírus chinês. Continuar insistindo no domínio do Estado sobre as pessoas segue sendo um erro igualmente inadmissível.

Outro ícone das democracias modernas que prezam as liberdades, Thomas Jefferson, também foi feliz em uma de suas muitas pérolas: "Quando as pessoas temem o governo, isso é tirania. Quando o governo teme as pessoas, isso é liberdade." Ainda bem que a natureza criou esse "monstro sagrado" e tantos outros pensadores honrados em quem podemos nos inspirar, e de quem nos lembramos quando surgem esses outros "monstros" apologistas da tragédia.











Nenhum comentário :

Postar um comentário

Seu comentário será exibido após análise do editor.