sábado, 23 de maio de 2020

Celso de Mello tumultua a República!


Essa sexta-feira tristemente apagou o dia anterior, que, apesar de marcante, ninguém lembra mais. E existe um responsável por isso.

A quinta-feira havia sido marcada, e celebrada, como o dia da reaproximação, do reencontro, da paz e da convergência entre governo federal, governadores e Congresso Nacional, tão oportuna em meio à tragédia trazida pelo vírus chinês. Bolsonaro, Alcolumbre, Maia, Doria, Witzel e todos os outros governadores, mesmo os da oposição, saudaram as bandeiras brancas e comemoraram o novo tom das conversas. Até ministros do Supremo elogiaram o momento. Mas na sexta quase tudo ruiu. E há um culpado.

Eis que surge, inconformado e impaciente, o decano do Supremo para colocar tudo a perder. De novo.

Decano não significa nem mais sábio nem mais honrado, como se percebeu. Significa apenas mais velho. Já dizia Rui Barbosa: "Não se deixem enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem".

O juiz de m* (como o advogado e ex-ministro da Justiça do governo Sarney, Saulo Ramos, chamou Celso de Mello em seu livro de memórias Código da Vida), em um mesmo dia, protagonizou dois eventos com potencial de ocupar as manchetes por muitos dias.

Primeiro, sem necessidade, encaminhou pedido de parecer ao PGR sobre uma notícia-crime, apresentada por ninguém menos que Gleisi Hoffmann e Rui Costa, ambos do PT, e mais três partidos de esquerda (PV, PDT e PSB). Na peça, a turminha da "resistência" pede a apreensão e perícia do celular do Presidente, para ver se encontra ali algum crime. Uma excrescência jurídica. Não fosse um juiz de m*, Celso de Mello poderia indeferir no ato, de ofício. Cabe apenas ao PGR solicitar esse tipo de ação em relação ao Presidente da República, jamais a políticos ou mesmo partidos. Mas Mello optou pelo espetáculo. Aliás, o pedido da patota de Gleisi já havia sido apresentado a Mello há mais de um mês. O decano resolveu tirar da gaveta justamente nessa sexta não por acaso nem por descuido. Como conhecido e declarado desafeto de Bolsonaro, aguardou o momento mais oportuno para potencializar mais uma tormenta em Brasília.

O resultado, como planejado, foi a repercussão em toda a mídia e nas redes sociais, alimentando todo tipo de especulações e reações, acirrando ânimos por toda parte.

O dia escolhido não só foi logo após a retomada da reconciliação de Bolsonaro com os governadores e o Congresso, mas também era o tão aguardado momento da decisão sobre a divulgação — ou não — do famoso vídeo, da reunião ministerial que Sérgio Moro disse que continha provas contundentes dos crimes dos quais acusou o Presidente.

O vídeo, por si só, como se constatou após a divulgação, não tem qualquer potencial para sustentar uma incriminação do Presidente, como acusou Moro. O que se assistiu ali foi um Bolsonaro convicto, assertivo, irritado às vezes, impaciente com a falta de resultados de certas áreas, e determinado a levar adiante a defesa e a reconstrução do Brasil, nos mesmos termos em que se apresentou à nação na campanha que o elegeu. E pródigo em palavrões, como de hábito, em especial em reuniões privadas. Nada que o brasileiro comum já não conhecesse.

Moro não tinha provas para corroborar suas acusações, e o vídeo era uma última cartada para encorpar uma narrativa, na ausência de fatos. Quando finalmente foi assistido por todas as partes, inclusive Mello, percebeu-se que ali não tinha nada. Só mais um rato parido pela montanha. A bomba atômica não passava de um traque. A consequência mais natural e razoável seria devolver o vídeo, ou no máximo mantê-lo nos autos do inquérito, preservando o sigilo, apenas para ser invocado pelas partes no momento processual oportuno, em caso de prosseguimento. Nada ali é relevante para o interesse público, a não ser pela curiosidade mórbida típica de fofoqueiros.

Mas Mello percebeu nele uma outra oportunidade. Se o vídeo não se prestava mais para uma batalha jurídica, serviria para reacender as animosidades dos governadores e de setores do judiciário contra Bolsonaro. A tal reunião ministerial, há um mês atrás, ocorreu em meio a um momento muito tenso entre o governo federal e os estaduais. Poucos dias antes acontecera uma videoconferência entre Bolsonaro e os governadores, que iniciou com uma ríspida discussão protagonizada por João Doria e fortemente rebatida pelo Presidente. No calor dos discursos da reunião ministerial, ainda impactada por aquele clima, a profusão de palavrões e xingamentos não poupou Doria, Witzel, Arthur Virgílio (prefeito de Manaus) e outros adversários do governo, e sobrou até para os ministros do Supremo, alvos da irritação do ministro Abraham Weintraub.

Material perfeito para ir para o horário nobre da TV, na estratégia de Celso de Mello. Não porque ajudaria a levar adiante a narrativa de Moro; esse caminho já começa a ser descartado, porque não para em pé. Mas porque estraga os esforços de pacificação do país. No exato momento em que Bolsonaro, governadores e o Congresso começam a baixar a temperatura, apagando as centelhas dos incêndios anteriores, surge Celso de Mello jogando dois tanques de gasolina no meio do picadeiro. Antes de vestir os pijamas, o velhaco quer ver o circo pegando fogo.

Às favas a conciliação e a união de esforços no meio da pandemia. É preciso continuar fustigando Bolsonaro, até que caia. A qualquer custo.

Não tem como discordar do ex-ministro Saulo Ramos. Pretendendo chamar holofotes, Celso de Mello, enquanto planeja os próximos passos de suas últimas batalhas contra Bolsonaro, vai encerrando sua biografia atraindo moscas.











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