quinta-feira, 14 de maio de 2020

Entre a cura e a morte, o lucro

O médico e físico Paracelso (séc. XVI) já dizia que "a diferença entre o remédio e o veneno é a dose".

O coronavírus do séc. XXI está mostrando que a diferença entre a cura e a morte é o lucro.

Um remédio extremamente barato, conhecido há mais de 70 anos, com patente quebrada e de domínio público, que pode ser produzido por qualquer fábrica de medicamentos, vem sendo solenemente desacreditado para privilegiar remédios novos, caros e com potencial de lucros astronômicos às empresas detentoras de suas patentes.

Esta é a batalha que está sendo travada contra a hidroxicloroquina pelo Remdesivir, a nova – e lucrativa – promessa. Mas as vítimas são pessoas. E muitas.

Um dos mercados mais rentáveis do mundo é o de medicamentos. O mercado farmacêutico global vale hoje cerca de um trilhão de dólares. As 10 maiores indústrias respondem por 45% desse mercado. Se forem acrescentadas as 10 seguintes, o grupo deterá dois terços do faturamento global. Esse punhado de gigantes, influentes e poderosos competidores é chamado de "Big Pharma".

Segundo indicadores da Forbes, as cinco maiores fabricantes de fármacos do mundo atualmente são, respectivamente: Pfizer, Roche, Johnson & Johnson, Sanofi e Merck. Com a pandemia da covid-19, um player que ocupava posições inferiores rapidamente está se aproximando do primeiro pelotão: a Gilead Sciences.

Uma empresa até então pouco conhecida ganhou as manchetes globais e mexeu com os mercados nos últimos dias. Fundada em 1987 e com sede na Califórnia, nos Estados Unidos, a Gilead fabrica o antiviral Remdesivir, um remédio que vem sendo testado contra a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. A empresa ainda detém a patente do medicamento, que foi desenvolvido originalmente para combater o virus ebola.

Com alguns testes realizados em pacientes com covid-19, e uma poderosa campanha de marketing estruturada nos padrões já habituais da Big Pharma, as ações da Gilead dispararam nas bolsas. Os investidores compreendem o valor nos mercados globais de um medicamente que ainda tem patente privada, especialmente em uma pandemia que promete assolar todos os recantos do planeta. Governos de todas as partes, já acionados pelo pesado lobby dessa indústria, acenam com compras milionárias e imediatas.

O problema está no tempo, que não para. Milhares de vidas já foram ceifadas pelo vírus chinês, e boa parte delas porque foram submetidas a protocolos equivocados, inclusive os determinados pela Organização Mundial da Saúde.

No Brasil, enquanto alguns hospitais e redes de saúde privados adotaram protocolos próprios, ignorando o lobby da indústria farmacêutica e do globalismo da OMS, alcançando resultados fantásticos no combate à epidemia, as redes públicas em geral enfrentam números alarmantes e crescente ameaça de colapso.

Hospitais privados, além de salvar vidas, precisam salvar suas próprias finanças, sob pena de ruína. Como em toda atividade econômica, aí reside o abismo entre o setor privado e o público. Na rede privada de saúde, os gestores sabem os custos de internação e tratamento intensivo. É muito menos oneroso que seus pacientes possam ser tratados em casa, com medicação, em vez de ocuparem leitos e equipamentos nos hospitais. Com resultados satisfatórios no tratamento, tanto melhor, em razão da fidelização dos "clientes" e, consequentemente, da valorização do negócio. A rede Prevent Senior, de São Paulo, foi uma das pioneiras na administração precoce, nos primeiros dias dos sintomas, de hidroxicloroquina associada à azitromicina e zinco, alcançando resultados fantásticos na redução de internações, tratamentos intensivos e, especialmente, óbitos, que se aproximaram de zero entre seus pacientes.

Alguns poucos países também adotaram esse procedimento, com resultados igualmente animadores. Um exemplo é o Marrocos, que foi o primeiro a adotar oficialmente o protocolo de tratamento baseado na hidroxicloroquina, aliado à produção local em massa de máscaras, em vez de importá-las da China como fizeram quase todos os demais países. Em comparação à França, por exemplo, que é 20 vezes mais rica, Marrocos registrou até a última semana 165 mortes para 36 milhões de habitantes, contra 23.660 mortes entre 67 milhões de habitantes na França. Em termos proporcionais a diferença salta aos olhos: no Marrocos, 4,6 mortes por milhão de habitantes, contra 353,1 mortos por milhão na França.

Nos últimos dias, finalmente, outros países renderam-se às evidências, e começaram a ignorar o lobby da indústria e da OMS. Entre outros, a Itália passou a distribuir gratuitamente a hidroxicloroquina a cidadãos que apresentam os primeiros sintomas da doença, sem esperar pela internação. Os resultados já começam a aparecer, reduzindo a pressão sobre o sistema de saúde. Na Espanha, também gravemente afetada pela pandemia, começaram nesta semana os testes de tratamento precoce e de prevenção em mulheres grávidas, porque consideraram que os riscos de efeitos colaterais da hidroxicloroquina são mínimos e conhecidos há décadas, ao contrário do que prega a propaganda da mídia. A Rússia igualmente adotou o tratamento como protocolo oficial, para toda a população. Curiosamente o país é vizinho e parceiro da China, que havia induzido a OMS a espalhar pelo mundo sua "ciência", mas Vladimir Putin preferiu oferecer cuidados mais eficazes aos seus cidadãos.

Enquanto isso, a pressão da Big Pharma continua. Médicos e gestores de hospitais ao redor do mundo queixam-se do assédio. A propaganda contra a hidroxicloroquina é avassaladora, e todas as esperanças oficiais são depositadas em vacinas e medicamentos novos, que poderão levar meses até estarem disponíveis em quantidade suficiente. Mas o que importa são os lucros, não necessariamente as vidas. E falamos aqui apenas de dois ou três medicamentos. Há muitos outros que são administrados em paralelo, além dos insumos hospitalares e, em especial, dos respiradores.

Respiradores. Estes merecem um capítulo à parte. Com governadores e prefeitos comprando às pencas, sem licitação, e pagando até mais de 300% acima dos valores de mercado, e a China abastecendo o mundo com suas engenhocas, boa parte delas quebradas, por que, afinal, oferecer um medicamento que custa o mesmo que uma aspirina, que o paciente toma em casa, e nem precisa ocupar leitos e equipamentos em hospitais? A Big Pharma agradece, e Xi Jinping manda saudações.












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