domingo, 10 de maio de 2020


Sergio Moro e a estratégia das tesouras


Não é uma casualidade que PT e PSDB, e seus respectivos satélites, estejam unidos para derrubar Bolsonaro. Não é de hoje que os dois principais partidos que protagonizaram a cena política nacional das últimas décadas estão do mesmo lado.

Um terceiro partido, o PMDB, sempre orbitou o poder, mas o que o define não é ideologia. Apenas o pragmatismo que lhe permite usufruir das benesses do poder, das tetas e dos cofres públicas. Mas petistas e tucanos são movidos por algo mais: a ideologia.

Ambos são as duas navalhas da mesma tesoura. É assim que o desertor soviético Anatoliy Golitsyn, no livro New Lies For Old, descreveu o que já acontecia na antiga União Soviética. Foi ele quem criou a expressão "estratégia das tesouras", que consiste em potencializar dois partidos que dominem o cenário político, econômico e social de um país, simulando estar em campos opostos, enquanto, na prática, pertencem ao mesmo espectro ideológico.

A origem do PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira –, uma dissidência do PMDB, teve inspiração na social-democracia europeia, corrente ideológica de orientação socialista. Seus principais mentores, como FHC, José Serra e Aloysio Nunes, entre outros, foram proeminentes ativistas contra o governo militar. Informes da inteligência militar da época caracterizam FHC como “elemento extremista”. Nunes e Serra chegaram a integrar grupos guerrilheiros, e como outros camaradas, foram presos e exilados.

As origens marxistas do PT e dos demais partidos de sua bolha são evidentes, nem precisam aqui ser recordadas.

O curioso, que só mais recentemente começou a ficar explícito e fazer sentido, é que ambos estiveram sempre do mesmo lado, e cumpriam a mesma agenda, serviam ao mesmo propósito, enquanto simulavam uma verdadeira guerra entre opostos.

Nos filmes policiais de Hollywood, a mesma estratégia costuma ser representada pelos personagens "good guy & bad guy". O "tira" durão ameaça a testemunha no interrogatório com os piores castigos, para depois aparecer o "tira" bonzinho que promete ajudá-lo, conseguindo, pela confiança e empatia, arrancar os segredos da testemunha apavorada.

PT era o "bad guy": a extrema-esquerda pronta a convocar suas milícias sem-terra, sem-teto e ativistas de toda espécie, avançando agressivamente sua agenda rumo ao socialismo, como etapa ao comunismo. Já o PSDB era o agente moderado, posicionando-se contra o radicalismo extremista, enquanto sutilmente dava passos na mesma direção.

Para reforçar a narrativa e iludir as massas de brasileiros desatentos, petistas acusavam os tucanos de serem "de direita", como se isso fosse um palavrão. Tucanos eram "neoliberais" (sem nunca explicar exatamente o que era isso; apenas mais um palavrão associado ao demônio capitalista), eram escravos do capital e dos banqueiros e todo tipo de narrativa fantasiosa para demonizar o liberalismo econômico.

Isso serviu por muito tempo para justificar a pretensa guerra dos radicais da esquerda contra os que falsamente acusavam de radicais capitalistas, até que os próprios radicais da esquerda foram pegos com a mão na botija, justamente aliados aos grandes capitalistas.

Não fosse a sede de dinheiro fácil disponível nos cofres públicos, que pôs todo o projeto socialista do PT, via Foro de São Paulo e aliados das ditaduras latinas a descoberto, ainda hoje estariam por aí nos saqueando enquanto nos conduziam à
Nova Venezuela Tupiniquim.

A alternância do comando (e do saque e da ruína em direção ao socialismo) do país corria bem, e a Lava Jato veia a atender aos interesses dos tucanos, porque ajudou a desintegrar a estrutura, a base eleitoral e a credibilidade do lulopetismo.

Depois do impeachment da catastrófica Dilma, o retorno dos tucanos parecia certo e iminente. A outra lâmina da mesma tesoura estava a postos.

Até que surgiu o outsider Jair Bolsonaro. Com a informação sendo disseminada pelas redes sociais, e não mais dependendo do monopólio da mídia convencional, permanente integrante do stablishment, a adesão da população ao seu nome foi inevitável. Os brasileiros estavam ansiosos por uma alternativa a figuras mofadas e pouco confiáveis, como Aécio, Haddad, Alckmin, Gleisi, Serra etc., e muitos queriam mesmo uma opção de direita, o que até então não era permitido pelo mainstream. Direita era "atraso", "ditadura", "homofobia", essas coisas. Bacana é ser liberal, novos tempos, sem limites nem pudores, dinheiro do governo não tem fim e precisa ser distribuído para todos, "abaixo a repressão, solte seu tesão"...

Desde antes da eleição, quando Bolsonaro ensaiava surpreender nas urnas, todos os demais já se posicionaram no seu lado oposto. Após a vitória, a "resistência" recrudesceu. A cada dia, os ataques são mais intensos e contam com mais adesões. A narrativa da imprensa, antes discreta e sutil, quase subliminar, passou a ser ostensiva, fornecendo munição abundante para todos os oposicionistas, detratores e mesmo traidores, oportunistas que se elegeram sobre suas costas mas com perfis que se revelaram muito diferentes após chegarem ao poder.

O propósito de todos, novamente, é o mesmo, remover Jair Bolsonaro, e retomar a agenda anterior. Quem estaria à frente, num eventual próximo governo, não interessa agora. Isso se resolve depois, A prioridade urgente, imediata, é defenestrar Bolsonaro.

E onde entra Sergio Moro nessa história, já que o título traz seu nome?

As conexões do ex-juiz e ex-ministro com Maurício Valeixo, ex-diretor da Polícia Federal escudado por Moro; com seu nº 2 na PF Disney Rosseti, que Moro queria que substituísse Valeixo caso sua saída fosse inevitável; com o ministro do STF Alexandre de Moraes, ex-militante do PSDB paulista e que impediu a posse de Alexandre Ramagem em substituição a Valeixo na PF, e que segue aliado íntimo de FHC, João Doria e Alckmin, não permitem mais dúvidas. Essas conexões estão detalhadas aqui: "O enigma de Nosferatu".

Moro não tem um perfil conservador como Bolsonaro. Sua imagem foi construída em cima do combate à corrupção, que conduziu com louvores enquanto juiz federal em Curitiba. Mas seu perfil ideológico sempre esteve mais alinhado a pautas progressistas, o que já era denunciado por bolsonaristas mesmo antes da campanha de 2018. Moro é desarmamentista. Enquanto ministro, dificultou o trabalho de Bolsonaro para promover a flexibilização das leis pelo direito à posse de armas, bem ao gosto da esquerda. Mais recentemente, alinhou-se aos governadores que ameaçavam prender cidadãos que ousassem sair às ruas, em clara oposição ao presidente. Já estava ficando difícil disfarçar seu posicionamento ideológico divergente.

Sérgio Moro havia levado para o governo a ativista pró-aborto Ilona Szabó, que é ligada ao globalista George Soros, multimilionário que financia projetos da esquerda ao redor do mundo, e patrocinou estudos de Ilona. Ela é diretora da ONG Instituto Igarapé, que também recebe financiamento de Soros através da Open Society Foundation, e que tem FHC entre seus conselheiros. A esposa de Moro, Rosângela, criou outra ONG poucos dias antes da deserção do marido, com o propósito de "estabelecer parcerias com a administração pública e organizações da sociedade civil", termo bem ao gosto da esquerda. E de George Soros, que financia ONGs ao redor do mundo para levar adiante sua missão. Esse episódio certamente revelará mais aspectos das conexões de Moro em um futuro próximo.

Mas o perfil ideológico de Moro não é o ponto principal, embora permita entender que haja nele mais pré-disposição para um alinhamento com os tucanos progressistas de São Paulo do que com o conservador Bolsonaro.

Suas conexões diretas com eles é que são mais reveladoras. Nada é simples, mas se fosse possível sintetizar em uma frase, poderia se dizer que Moro aderiu à lâmina tucana na estratégia das tesouras, cujo objetivo é derrubar Bolsonaro para ser restabelecida a agenda socialista, interrompida na eleição de 2018. O apoio incondicional da mainstream media à narrativa e a aproximação de Lula a Doria e FHC apagam qualquer vestígio de dúvida que ainda pudesse pairar.











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