sexta-feira, 1 de maio de 2020


STF acelera contra Bolsonaro


Sergio Moro fará depoimento neste sábado, 2 de maio, à Polícia Federal em Curitiba.

O ministro Celso de Mello, sob pressão de deputados de oposição ao Governo, reduziu o prazo que ele próprio havia definido para colher os depoimentos, de 60 para 5 dias.

A ação que pretende apurar as denúncias que Moro fez, em seu pronunciamento de demissão do cargo de ministro da Justiça, contra o Presidente Jair Bolsonaro, foi proposta por Augusto Aras, Procurador Geral da República. Aras encaminhou o processo ao STF, onde foi distribuído para Celso de Mello.

Enquanto há processos contra criminosos poderosos do meio político dormindo há anos nas gavetas do STF, como os de Renan Calheiros e Rodrigo Maia, o ministro Celso de Mello surpreende com essa pressa inusitada, determinando o depoimento de Moro para um prazo de dois dias, em pleno sábado de feriadão.

Mas não é só o prazo: Mello, o decano do Supremo e conhecido desafeto de Bolsonaro, definiu ainda quem serão os interrogadores: integrantes da equipe que era comandada pelo delegado Disney Rosseti, o atual diretor interino da PF, que era o número 2 de Maurício Valeixo, recém exonerado, próximo de Moro, e que o ex-ministro quis manter a qualquer custo no cargo. Moro inclusive alegou que foi a saída de Valeixo que levou à sua própria renúncia (reveja as conexões entre Disney, Valeixo, Moro e Alexandre de Moraes aqui: "O enigma de Nosferatu".

Caso fosse mantido o prazo de 60 dias, o depoimento de Moro seria colhido por policiais federais designados pela nova direção, que talvez não tivesse proximidade com Moro. Celso de Mello, em dobradinha com Alexandre de Moraes, deixa até a PGR de calças na mão, que ficou sem tempo hábil para colher informações para elaborar seus questionamentos a Moro, e permite que, da parte da Polícia Federal, o ex-juiz da Lava Jato seja interrogado justamente pelos agentes mais próximos e aliados.

Mello, inicialmente, oficiou a Moro, para que apresentasse formalmente suas denúncias, se mantidas, e juntasse provas, se as tivesse. Bolsonaro também deverá ser citado para apresentar suas alegações. Caso as denúncias de Moro não sejam comprovadas, ele poderá responder por calúnia ou até denunciação criminosa.

A mudança repentina de prazo determinada por Celso de Mello, com a participação de partidos de esquerda para justificar a decisão, somada à liminar impensável e ilegal de Alexandre de Moraes para impedir a nomeação de Ramagem, revelam outra frente de batalha do Mecanismo contra Bolsonaro.










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